Posts Tagged ‘Literatura’

Tentando Escrever

setembro 29, 2009

“Eu morava num conjunto de casas populares na Carlton Way, perto da Western. Tinha cinquënta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não pode se viver sempre escrevendo, e havia muito espaço para preencher com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo das maiorias das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que siginificava mais três anos de vida. E eu precisava desses anos extras, porque não havia escrito o bastante.”

Extraído de Hollywood de Charles Bukowiski.

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Sobre sustentabilidade e as praias francesas que eu nunca conheci.

setembro 21, 2009

Fight Club - Tyler Durden and Jack

“Tyler perguntou com quem eu estava lutando.

Sabe as coisas que Tyler diz sobre ser um merda, um escravo da história? Pois era assim que eu me sentia. Queria destruir tudo de belo que eu nunca tive; por fogo na floresta Amazônica, Injetar CFCs direto na camada de ozônio. Abrir válvulas de descarga de superpetroleiros e destampar poços de petróleo em alto mar. Queria matar os peixes que não pudesse comer e contaminar as praias francesas que não conheci.

Queria que todo mundo chegasse ao fundo.

Batendo naquele garoto, o que eu queria, na verdade, era meter uma bala no meio da testa de todos os pandas ameaçados de extinção que não trepavam para salvar a espécie e cada baleia ou golfinho que desistisse de lutar e encalhasse na praia – não veja isso como extinção, veja como diminuição de espécie.

Por milhares de anos, os seres humanos fodem e sujam e cagam em cima deste planeta, e agora a história quer que eu limpe tudo? Preciso lavar e amassar as latas de sopa. E dar conta de cada gota de óleo dos motores.

E ainda tenho que pagar a conta pelo lixo nuclear, pelos depósitos de gasolina queimados e pela lama tóxica despejada por uma geração anterior a minha, eu queria sentir o cheiro de fumaça.

Pássaros e cervos são meros luxos e todo peixe deveria voar. Este é meu mundo, o meu mundo e os antigos estão mortos; eu queria por fogo na Louvre e limpar a bunda com a Monalisa.

Foi naquele café da manhã que Tyler Durden inventou o Projeto de Ações Violentas – ele queria que o mundo ficasse livre da história.”

Extraído de o Clube da Luta de Chuck Palahniuk.

Summertime

setembro 15, 2009

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“Fomos embora acelerados e imundos porque não tinhamos vontade de tomar banho, pegamos apenas os discos de Nina Simone, The Gathering e Coutings Crowns, dos quais só escutamos sem parar, uma única música, que era “Dont Let Me Be Missundertood”, porque com o sol que subia, e subia numa velocidade vertiginosa sobre as estradinhas beira-mar, o cheiro de café, o vento nos nossos cabelos e essa música nos davam, ainda que tivéssemos passados dias sem dormir, a impressão de renascer, e eu olhava Manon de jeans e uma blusa sem mangas manchada de café, com seus enormes óculos de estrela de cinema, com os pés descalços apoiados no para-brisa, escutando cantar em plenos pulmões, e rir ao me escutar fazendo o refrão.

Foi então que vi distitamente, mesmo sabendo que era a mais completa alucinação devido ao Stilnox, ao estado de destruição avançada do meu cérebro, ou simplesmete devido ao cansaço, o rosto de Julie, imaculado e sereno, triste como um adeus, erguer-se acima de mim e explodir como uma bolha de sabão, e, logo em seguida Manon apertou minha mão no volante para chamar a atenção a uma nuvem que se parecia com ela, e piscou os olhos franzindo as sobrancelhas perguntando  “quando é que a gente chega?, depois bocejou e apoiou a cabeça no meu ombro e eu disse cá com os meu botões: “puta que o pariu, como eu tô feliz”.

Vadiando

setembro 10, 2009

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Terminar sozinho no túmulo de um quarto sem cigarros nem bebida- careca como uma lâmpada, barrigudo, grisalho, e feliz por ter um quarto. …de manhã eles estão lá fora ganhando dinheiro: juízes, carpinteiros, encanadores , médicos, jornaleiros, guardas, barbeiros, lavadores de carro, dentistas, floristas, garçonetes, cozinheiros, motoristas de táxi… e você se vira para o lado pra pegar o sol nas costas e não direto nos olhos.”

Poema Aos Meus 43 Anos de Charles Bukowski.

Entregando os Pontos

setembro 4, 2009

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Sua semelhança com Julie crescia todos os dias, junto a isso crescia meu mal estar, Julie era uma aristocrata de rosto esculpido, voz cristalina, impossível de ficar despenteada, mesmo no mar, Manon não tinha seu porte, isso ela nunca vai ter. Mas se parecia com Julie de uma maneira estranha e apavorante, com uma Julie corroída, encolhida, degradada, que houvesse sido arrancada de sua prisão dourada e espacanda até a morte. Ela se parecia com o destroço que talvez fosse Julie caso houvesse sobrevidido. E, na minha perturbação, começo a dizer a mim mesmo que ainda bem que ela não sobreviveu.

Eu me dizia isso quando, por exemplo, acordava primeiro e via Manon deitada de bruços, na diagonal, sua inocência perdida redescoberta num sonho e irradiando-se pelos seus traços, isso antes de ela por sua vez acordar para retomar a consciência e a pose diante de mim, antes de disparar para dentro do banheiro e se lambuzar com sua maquiagem de puta, eu pensava nisso  ao olhar suas primeiras fotos, suas faces cheias, seus cabelos castanhos, cacheados, seu ar de gratidão, faz quatro dias que eu pensei a mesma coisa, na estrada, vindo para cá, mas ja não sei o que pensar, sinceramente, acho que estou entragando os pontos.

Paternidade

agosto 27, 2009

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Catherine ficou amiga delas todas. Sempre me impressionei com a velocidade que as mulheres ficam amigas. Quando eu estava no parquinho, sempre me via numa elaborada dança paternal pela qual tentava afastar sutilmente meus filhos das outras crianças cuidadas por seus pais com medo de ser levado ao constrangimento de entrar num papo furado. Mesmo que a comunicação fosse inevitável, não falaríamos diretamente um com outro, mas empregaríamos nossos filhos como interlocutores. Assim, se Millie estivesse deliberadamente bloqueando o escorrega, minha maneira de perdir desculpa ao outro pai seria dizer bem alto: “Desça do escorrega, Millie, e dê a vez a outra mininha”.

O outro pai responderia que estava tudo bem respondendo “Não empurre a menina , Ellie. Ela vai descer quando estiver pronta”. E não seria necessária menor troca de olhares entre aqueles dois machos adultos. Enquanto isso, em qualquer outro canto do parquinho, a mulher dele e a minha já estariam revelando mutuamente quanto tempo tiveram que esperar para trepar outra vez depois de dar a luz.

Extraído de A Maior Conquista de Um Home de John O´Farrell – o protagonista do livro é Micheal Adams, casado e pai de três filhos, que enfrenta enorme dificuldade com a paternidade, devido a sua síndrome de eterno adolescente.

Maternidade

agosto 27, 2009

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– Você não pensou que eu também não estava achando difícil me ajustar?- Disse ela num sussurro furioso, cuspindo as palavras. – Deixar de trabalhar, dar à luz e de repente ficar presa numa casa, sozinha, com um bebê chorando? Você não acha que para mim foi um choque me tornar de repente uma mulher feia, gorda, cansada e chorosa, tentando amamentar um bebê aos berros enquanto o sangue corria do bico do meu peito, sem ninguém ao lado para me dizer que estava tudo bem, que era assim mesmo, que eu estava fazendo a coisa certa mesmo quando o bebê não comia, nem dormia, nem fazia nada além de berrar dias a fio? Sinto muito que tenha sido tão difícil para você se ajustar Micheal – ela estava chorando, zangada comigo e consigo mesma por entrar em colapso na minha frente.

– Mas eu nunca me ajustei – disse ela continuando – porque é impossível se ajustar. Minha situação era perder ou perder. Ficava me sentindo culpada quando pensava em voltar a trabalhar e quando pensava em trabalhar, e não havia com que conversar isso porque as mulheres que haviam no parquinho tinham apenas 18 e só falavam croata. Por isso eu sinto muito que você tenha achado tão difícil ficar na casa da sua mulher quando ela está enfrentando este inferno, mas tudo bem, porque você pode simplesmente sair, mandar tudo para aquela parte quando quisesse e ficar curtindo com seus amigos, indo a festinhas, vendo videos e desligando o celular para não ser pego por sua mulher quando ela quisesse chorar ao telefone com você.

Extraído de A Maior Conquista de Um Homem de John O´Farrrell

O Que Gostamos de Imaginar

agosto 20, 2009

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Agora meus braços seguram as hastes do aparelho, estendidos sobre meu peito. Respiro fundo, bem devagar, abrindo os braços até formarem uma cruz. Hoje aumentei o peso, sinto meus músculos queimando. Já foram insignifcantes, agora parecem feito de pedra… pontos luminosos vermelhos, como os que aparecem durante o orgasmo, dançam em frente aos meus olhos, dezenove… o sangue corre até o meu ouvidos, ruidoso… meus pulmões explodem como um pneu que estoura em plena auto estrada… vinte…

… trinta segundos depois eu paro e sinto o suor que escorre da minha testa, fazendo meus olhos arderem. Passo a língua nos lábios para sentir o gosto salgado. Então repito meu desempenho, dando o mesmo trato em outro aparelho. Depois reservo trinta minutos à esteira, subindo de dez para catorze quilometros por hora.

Dou uma olhada em outros dois caras que costumam a vir aqui, nuca conversamos, apenas trocamos cumprimentos como forma de reconhecer a presença alheia. Homens ocupados demais, concetrados demais para perder tempo com conversa fiada. Homens com uma missão. Homens insubstituíveis; especiais, no centro dos acontecimentos.

Ou pelo menos é o que gostamos de imaginar.

Extraído de Pornô de Irvine Welsh, continuação do clássico Trainspotting.

Morrer em Comabte

agosto 13, 2009

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Busco em vão cada rosto uma fagulha de poesia, busco entusiasmo nos discursos, busco ideiais, ou pelo menos idéias, mas pessoas passam ao largo, elas andam apressadas, mal vestidas, com os olhos esvaziados pela preocupação.

Não posso fazer nada por elas. Não posso fazer nada por ninguém.

Sou um idealista que prega valores obsoletos: a coragem, a abnegação e a gloria. Minha vida é uma busca por objetivos que não existem mais, meus antepassados eram heróis, eu não passo de um filhinho de papai. Um rebelde sem causa, vou morrer num acidente com meu carro ou em uma overdose, quando na verdade gostaria de morrer em combate.

All You Need Is Love

julho 7, 2009

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“Ninguém vai nos ajudar na hora que estivermos precisando de ajuda, enquanto estivermos na desgraça e no abandono, só poderemos encontrar pessoas iguais a nós. O amor só cruzara nosso caminho quando acharmos que podemos muito bem passar sem ele. Os fortes não sentem prazer na companhia dos fracos, pessoas tão fracas quanto eles.

Extraído de Amanhã É Outro Dia de J.M. Simmel.