Posts Tagged ‘Escritores’

A noite será devagar

outubro 25, 2009

Bem, aqui estou eu de novo ouvindo as boas e velhas músicas de novo, sentindo tristeza, a boa tristeza à moda antiga em que as lágrimas não chegam a sair, bom, ouço mais um pouco.


A mente pode consumir quantidades mágicas de memória enquanto a noite se desdobra noite adentro, enquanto outro charuto é aceso, como se pode ficar terrivelmente amuado quando velhas músicas seguem-se uma às outras, rostos são lembradas, rostos jovens, como fatias novas de uma maçã ,estão mortos agora, quase todos eles mortos agora.


A aparente beleza e a aparente bravura, se foram.


Sentado aqui permitindo que meus melhores sentidos sejam diluídos pela melancolia, um homem velho, lembrando de novo, olhando de cima a baixo o bar imaginário cheio de assentos vazios, pensando naquela criança com os loucos de olhos vermelhos que sentava lá enchendo o copo e enchendo e enchendo e enchendo de novo ao ponto da imbecilidade, agora lembrando, ouvindo de novo, permitindo a idiotice entrar de novo, somos todos idiotas para sempre, idiotizados para sempre, alegremente, agora.


Sempre ele, Charles Bukowiski, o nome do poema é o título do post.

Sobre sustentabilidade e as praias francesas que eu nunca conheci.

setembro 21, 2009

Fight Club - Tyler Durden and Jack

“Tyler perguntou com quem eu estava lutando.

Sabe as coisas que Tyler diz sobre ser um merda, um escravo da história? Pois era assim que eu me sentia. Queria destruir tudo de belo que eu nunca tive; por fogo na floresta Amazônica, Injetar CFCs direto na camada de ozônio. Abrir válvulas de descarga de superpetroleiros e destampar poços de petróleo em alto mar. Queria matar os peixes que não pudesse comer e contaminar as praias francesas que não conheci.

Queria que todo mundo chegasse ao fundo.

Batendo naquele garoto, o que eu queria, na verdade, era meter uma bala no meio da testa de todos os pandas ameaçados de extinção que não trepavam para salvar a espécie e cada baleia ou golfinho que desistisse de lutar e encalhasse na praia – não veja isso como extinção, veja como diminuição de espécie.

Por milhares de anos, os seres humanos fodem e sujam e cagam em cima deste planeta, e agora a história quer que eu limpe tudo? Preciso lavar e amassar as latas de sopa. E dar conta de cada gota de óleo dos motores.

E ainda tenho que pagar a conta pelo lixo nuclear, pelos depósitos de gasolina queimados e pela lama tóxica despejada por uma geração anterior a minha, eu queria sentir o cheiro de fumaça.

Pássaros e cervos são meros luxos e todo peixe deveria voar. Este é meu mundo, o meu mundo e os antigos estão mortos; eu queria por fogo na Louvre e limpar a bunda com a Monalisa.

Foi naquele café da manhã que Tyler Durden inventou o Projeto de Ações Violentas – ele queria que o mundo ficasse livre da história.”

Extraído de o Clube da Luta de Chuck Palahniuk.

Vadiando

setembro 10, 2009

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Terminar sozinho no túmulo de um quarto sem cigarros nem bebida- careca como uma lâmpada, barrigudo, grisalho, e feliz por ter um quarto. …de manhã eles estão lá fora ganhando dinheiro: juízes, carpinteiros, encanadores , médicos, jornaleiros, guardas, barbeiros, lavadores de carro, dentistas, floristas, garçonetes, cozinheiros, motoristas de táxi… e você se vira para o lado pra pegar o sol nas costas e não direto nos olhos.”

Poema Aos Meus 43 Anos de Charles Bukowski.

All You Need Is Love

julho 7, 2009

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“Ninguém vai nos ajudar na hora que estivermos precisando de ajuda, enquanto estivermos na desgraça e no abandono, só poderemos encontrar pessoas iguais a nós. O amor só cruzara nosso caminho quando acharmos que podemos muito bem passar sem ele. Os fortes não sentem prazer na companhia dos fracos, pessoas tão fracas quanto eles.

Extraído de Amanhã É Outro Dia de J.M. Simmel.

Fudido e Mal Pago 002

junho 14, 2009

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“Havia apenas um ano, tinha um bom emprego de motorista e havia guardado dinheiro. Um dia se apaixonou e quando se viu rejeitado pela garota perdeu o controle e deu-lhe um chute. Ao levar um pontapé, a garota se apaixonou desesperademente  por Henri, por quinze dias, viveram juntos e gastaram mil francos das economias dele. Então, a garota foi infiel, Henri enfiou uma faca no braço e foi parar na prisão por seis meses. Assim que foi esfaqueada, a garota ficou mais apaixonada que nunca, os dois fizeram as pazes e resolveram que, quando saísse da cadeia, Henri compraria uma táxi, se casariam e iriam morar juntos.

Mas, quinze dias depois, a garota foi infiel de novo, e quando Henri saiu da prisão ela estava grávida. Henri não esfaqueou novamente. Tirou todo o dinheiro da poupança, desandou a beber e acabou na cadeia por mais um mês. Depois disso, foi trabalhar nos esgotos de Paris, nada fazia o falar. Se lhe perguntavam por que trabalhava nos esgotos, não respondia, apenas cruzava os pulsos, para dizer algemas,  e apontava muito com a cabeça na direção da prisão. A má sorte parecia tê-lo deixado abobado em único dia. ”

Extráido de Na Pior em Paris e Londres de George Orwell.

Fudido e Mal Pago 001

junho 14, 2009

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“Conversamos por duas horas. O irlandês era um velho simpático, mas cheirava muito mal, o que não surpreendia quando se ficava sabendo da quantidade de doenças de que sofria. Parece que (ele descrevia completamente os sintomas), indo da cabeça, que era careca, tinha eczema, era míope e não tinha óculos; sofria de bronquite crônica, tinha uma dor não diagnosticada nas costas, tinha despepsia, sofria de uretrite, tinha varizes, joanetes e pés chatos. Com esse conjunto de doenças, vagabundeava pelas estradas havia quinze anos.”

 Extraído de Na Pior em Paris e Londres – A vide de miséria e vagabundagem de um jovem escritor no fim dos anos 1920 – escrito pelo mestre George Orwell.