Posts Tagged ‘Citações’

A noite será devagar

outubro 25, 2009

Bem, aqui estou eu de novo ouvindo as boas e velhas músicas de novo, sentindo tristeza, a boa tristeza à moda antiga em que as lágrimas não chegam a sair, bom, ouço mais um pouco.


A mente pode consumir quantidades mágicas de memória enquanto a noite se desdobra noite adentro, enquanto outro charuto é aceso, como se pode ficar terrivelmente amuado quando velhas músicas seguem-se uma às outras, rostos são lembradas, rostos jovens, como fatias novas de uma maçã ,estão mortos agora, quase todos eles mortos agora.


A aparente beleza e a aparente bravura, se foram.


Sentado aqui permitindo que meus melhores sentidos sejam diluídos pela melancolia, um homem velho, lembrando de novo, olhando de cima a baixo o bar imaginário cheio de assentos vazios, pensando naquela criança com os loucos de olhos vermelhos que sentava lá enchendo o copo e enchendo e enchendo e enchendo de novo ao ponto da imbecilidade, agora lembrando, ouvindo de novo, permitindo a idiotice entrar de novo, somos todos idiotas para sempre, idiotizados para sempre, alegremente, agora.


Sempre ele, Charles Bukowiski, o nome do poema é o título do post.

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Lembrete

outubro 15, 2009

“Nunca se esqueça, vai chegar o dia que você também vai ser velho e ultrapassado.”

Frase muito repetida por pais e mães mundo afora. Talvez seja verdade.

Tentando Escrever

setembro 29, 2009

“Eu morava num conjunto de casas populares na Carlton Way, perto da Western. Tinha cinquënta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não pode se viver sempre escrevendo, e havia muito espaço para preencher com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo das maiorias das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que siginificava mais três anos de vida. E eu precisava desses anos extras, porque não havia escrito o bastante.”

Extraído de Hollywood de Charles Bukowiski.

Sobre sustentabilidade e as praias francesas que eu nunca conheci.

setembro 21, 2009

Fight Club - Tyler Durden and Jack

“Tyler perguntou com quem eu estava lutando.

Sabe as coisas que Tyler diz sobre ser um merda, um escravo da história? Pois era assim que eu me sentia. Queria destruir tudo de belo que eu nunca tive; por fogo na floresta Amazônica, Injetar CFCs direto na camada de ozônio. Abrir válvulas de descarga de superpetroleiros e destampar poços de petróleo em alto mar. Queria matar os peixes que não pudesse comer e contaminar as praias francesas que não conheci.

Queria que todo mundo chegasse ao fundo.

Batendo naquele garoto, o que eu queria, na verdade, era meter uma bala no meio da testa de todos os pandas ameaçados de extinção que não trepavam para salvar a espécie e cada baleia ou golfinho que desistisse de lutar e encalhasse na praia – não veja isso como extinção, veja como diminuição de espécie.

Por milhares de anos, os seres humanos fodem e sujam e cagam em cima deste planeta, e agora a história quer que eu limpe tudo? Preciso lavar e amassar as latas de sopa. E dar conta de cada gota de óleo dos motores.

E ainda tenho que pagar a conta pelo lixo nuclear, pelos depósitos de gasolina queimados e pela lama tóxica despejada por uma geração anterior a minha, eu queria sentir o cheiro de fumaça.

Pássaros e cervos são meros luxos e todo peixe deveria voar. Este é meu mundo, o meu mundo e os antigos estão mortos; eu queria por fogo na Louvre e limpar a bunda com a Monalisa.

Foi naquele café da manhã que Tyler Durden inventou o Projeto de Ações Violentas – ele queria que o mundo ficasse livre da história.”

Extraído de o Clube da Luta de Chuck Palahniuk.

Game Over

setembro 19, 2009

“A vida é um grande fliperama, se você se comporta, Deus dá mais uma ficha no final.”

André Drahmer – cartunista.

Fotos Patrick Runt – mais aqui: patrickrunte

Tetris

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Summertime

setembro 15, 2009

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“Fomos embora acelerados e imundos porque não tinhamos vontade de tomar banho, pegamos apenas os discos de Nina Simone, The Gathering e Coutings Crowns, dos quais só escutamos sem parar, uma única música, que era “Dont Let Me Be Missundertood”, porque com o sol que subia, e subia numa velocidade vertiginosa sobre as estradinhas beira-mar, o cheiro de café, o vento nos nossos cabelos e essa música nos davam, ainda que tivéssemos passados dias sem dormir, a impressão de renascer, e eu olhava Manon de jeans e uma blusa sem mangas manchada de café, com seus enormes óculos de estrela de cinema, com os pés descalços apoiados no para-brisa, escutando cantar em plenos pulmões, e rir ao me escutar fazendo o refrão.

Foi então que vi distitamente, mesmo sabendo que era a mais completa alucinação devido ao Stilnox, ao estado de destruição avançada do meu cérebro, ou simplesmete devido ao cansaço, o rosto de Julie, imaculado e sereno, triste como um adeus, erguer-se acima de mim e explodir como uma bolha de sabão, e, logo em seguida Manon apertou minha mão no volante para chamar a atenção a uma nuvem que se parecia com ela, e piscou os olhos franzindo as sobrancelhas perguntando  “quando é que a gente chega?, depois bocejou e apoiou a cabeça no meu ombro e eu disse cá com os meu botões: “puta que o pariu, como eu tô feliz”.

Sete de Setembro

setembro 8, 2009

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Deus é um cara gozador, adora brincadeira

Pois para me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro

Mas acho muito engraçado me botar cabreiro

Na barriga da miséria nasci brasileiro.

Extraída da canção Partido Alto de Chico Buarque.

Entregando os Pontos

setembro 4, 2009

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Sua semelhança com Julie crescia todos os dias, junto a isso crescia meu mal estar, Julie era uma aristocrata de rosto esculpido, voz cristalina, impossível de ficar despenteada, mesmo no mar, Manon não tinha seu porte, isso ela nunca vai ter. Mas se parecia com Julie de uma maneira estranha e apavorante, com uma Julie corroída, encolhida, degradada, que houvesse sido arrancada de sua prisão dourada e espacanda até a morte. Ela se parecia com o destroço que talvez fosse Julie caso houvesse sobrevidido. E, na minha perturbação, começo a dizer a mim mesmo que ainda bem que ela não sobreviveu.

Eu me dizia isso quando, por exemplo, acordava primeiro e via Manon deitada de bruços, na diagonal, sua inocência perdida redescoberta num sonho e irradiando-se pelos seus traços, isso antes de ela por sua vez acordar para retomar a consciência e a pose diante de mim, antes de disparar para dentro do banheiro e se lambuzar com sua maquiagem de puta, eu pensava nisso  ao olhar suas primeiras fotos, suas faces cheias, seus cabelos castanhos, cacheados, seu ar de gratidão, faz quatro dias que eu pensei a mesma coisa, na estrada, vindo para cá, mas ja não sei o que pensar, sinceramente, acho que estou entragando os pontos.

Relativizando

setembro 1, 2009

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“A gravidade, deduziu, era uma deformação do espaço e do tempo, e ele apresentou as equaçoes que descrevem como a dinâmica dessa curvatura resulta da interação entre matéria, movimento e energia. Ela poder ser descrita recorrendo se a outro experimento mental. Visualize uma bola de boliche rolando sobre uma superficie bidimensional de uma cama elástica. Depois, role algumas bolas de bilhar. Elas se movem na direção da bola de boliche, não por exercer alguma atração misteriosa, e sim pelo modo como ela curva a superficie da cama elástica. Agora, imagine isso acontecendo no ambiente quadrimensional do espaço tempo.

Está bem, não é facil, mas por isso que não somos Einstein e ele era.”

Extraído de Einstein – Sua Vida, Seu Universo do escritor Walter Isaacson.

Paternidade

agosto 27, 2009

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Catherine ficou amiga delas todas. Sempre me impressionei com a velocidade que as mulheres ficam amigas. Quando eu estava no parquinho, sempre me via numa elaborada dança paternal pela qual tentava afastar sutilmente meus filhos das outras crianças cuidadas por seus pais com medo de ser levado ao constrangimento de entrar num papo furado. Mesmo que a comunicação fosse inevitável, não falaríamos diretamente um com outro, mas empregaríamos nossos filhos como interlocutores. Assim, se Millie estivesse deliberadamente bloqueando o escorrega, minha maneira de perdir desculpa ao outro pai seria dizer bem alto: “Desça do escorrega, Millie, e dê a vez a outra mininha”.

O outro pai responderia que estava tudo bem respondendo “Não empurre a menina , Ellie. Ela vai descer quando estiver pronta”. E não seria necessária menor troca de olhares entre aqueles dois machos adultos. Enquanto isso, em qualquer outro canto do parquinho, a mulher dele e a minha já estariam revelando mutuamente quanto tempo tiveram que esperar para trepar outra vez depois de dar a luz.

Extraído de A Maior Conquista de Um Home de John O´Farrell – o protagonista do livro é Micheal Adams, casado e pai de três filhos, que enfrenta enorme dificuldade com a paternidade, devido a sua síndrome de eterno adolescente.