O Que Gostamos de Imaginar

gym

Agora meus braços seguram as hastes do aparelho, estendidos sobre meu peito. Respiro fundo, bem devagar, abrindo os braços até formarem uma cruz. Hoje aumentei o peso, sinto meus músculos queimando. Já foram insignifcantes, agora parecem feito de pedra… pontos luminosos vermelhos, como os que aparecem durante o orgasmo, dançam em frente aos meus olhos, dezenove… o sangue corre até o meu ouvidos, ruidoso… meus pulmões explodem como um pneu que estoura em plena auto estrada… vinte…

… trinta segundos depois eu paro e sinto o suor que escorre da minha testa, fazendo meus olhos arderem. Passo a língua nos lábios para sentir o gosto salgado. Então repito meu desempenho, dando o mesmo trato em outro aparelho. Depois reservo trinta minutos à esteira, subindo de dez para catorze quilometros por hora.

Dou uma olhada em outros dois caras que costumam a vir aqui, nuca conversamos, apenas trocamos cumprimentos como forma de reconhecer a presença alheia. Homens ocupados demais, concetrados demais para perder tempo com conversa fiada. Homens com uma missão. Homens insubstituíveis; especiais, no centro dos acontecimentos.

Ou pelo menos é o que gostamos de imaginar.

Extraído de Pornô de Irvine Welsh, continuação do clássico Trainspotting.

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2 Respostas to “O Que Gostamos de Imaginar”

  1. Anderson Segall Says:

    Irvine Welsh manda bem!Trainspoting é um grito de uma geração.Abraço.

  2. bercosta86 Says:

    Valeu por acomanhar o blog Anderson.
    Abração!!!!

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